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Hoje o dia está claro. Intolerantemente claro. Um claro-cloro. Um claro branco-neon. Meus olhos não podem suportar. A claridade penetra certeira em minhas pupilas como dardo afiado rasgando o alvo.

O dia está claro. O que seria bom se a gripe não estivesse tomando conta progressivamente das minhas moléculas corporais, mais especificamente as faciais e mais ainda, as retinais. A gripe parece deixar os olhos sensíveis e lacrimejantes. Quase são precisos toquinhos de madeira apoiando os olhos em cima e em baixo para não se fecharem. Os olhos ficam languidos. Ficam mornos. Ficam chatos, o mundo externo os incomoda. Tudo que queriam era a escuridão silenciosa.

Hoje também é o vento que está irritado. E vem direto em minha retina. Claro! Falando em claro, é claro que o vento viria como a outra metade do imã em meus olhos. No centro dos meus olhos. Mais lacrimejos. Mais irritação.

Luzes e ventos, deixem-me em paz. É só um pequeno pedido nesta segunda tão linda mas tão imprópria a mim: “Deixe-me girar seu dimer. Só um pouquinho para o lado em que desliga… e se não se importa, diminuirei a velocidade do ventilador também, pra não ser pedir muito desligar. Obrigada”.

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