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Ela era grande e gorda, mas amigável. E por ser amigável facilitou todo meu plano de sequestro. Vivia ali, numa sala-cubículo toda branca, do chão ao teto e as quatro paredes, de um branco-cloro fluorescente, quase cegante. A água não era fria nem quente, era agradável e alcançava apenas a altura das canelas (das minhas canelas obviamente, porque não, essa baleia não tinha canelas, isso seria demais. Na verdade nem seria… mas não desta vez). Eu observava minha presa que ora parecia uma orca, ora, um golfinho. Vai ver a imagem de golfinho surgiu à mente pela tamanha simpatia que tinha, e bota tamanha nisso, algumas boas toneladas. Era uma baleia fofa em todos os sentidos. Fofa e solitária naquele confinamento branco.

Tudo que eu queria era me vingar, do dono da baleia claro. Dela eu não queria nenhum fio de gordura machucado, coitadinha. O plano era sequestrá-la por um tempo e depois devolvê-la intacta ao seu aquário semi-seco. O intuito era assustar seu dono e mandar meu recado “Não mexa mais comigo”. O que ele me fez? Não vem ao caso, até mesmo porque nem me lembro do motivo da vingança.

Chegou a hora. Chamei um SEB, o tal do Sequestrador de Baleias para me ajudar. Sim, caso você não saiba, existe essa profissão. Chegamos num Domingo morno e vazio ao local e ela estava ali, quietinha, mansinha, inocente que dava dó. Nesta hora eu era um homem, não me pergunte por quê. Ajudei o SEB a abrir sua boca enorme, capaz de engolir cinco clones dele e sete meus, enfiou o braço inteiro em sua garganta gosmenta, alcançou bem o fundo e jogou um comprimido sonífero poderoso. Mais dois minutos e a gorda estava dopada. Arrastamos ela cuidadosamente pela sala (impressionante o fato de que foi tão fácil empurrá-la, vai ver tamanha doçura neutralizou tamanha gordura) e a colocamos num tubo que ia da parede da sala ao exterior. O tubo sim tinha muita água, o que facilitou deslizarmos a giganta. Pronto, levamos ela dali. Mais detalhes não me lembro. A mente apagou. Só sei que tudo correu como planejei: o dono dela tomou o susto e depois de uns dias a devolvi. Fiquei pensando que fiz um favor à baleia, proporcionando uma breve experiência de aventura e liberdade em sua vida insípida e presidiária….só pensei.

Mas essa história aconteceu há uns dias, ou meses atrás. É que o tempo passa tanto que os dias viram meses e eu nem percebo. O sonho de hoje foi outro. Mas nada que valha a pena contar. Daí acordei lembrando da minha baleia querida e senti que tinha que registrá-la. E pensando outra coisa agora, não sei o nome dela. Quem sabe em outro sonho volto para perguntar…

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