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Ah, se meu elevador falasse. Ai se os elevadores pelo mundo afora falassem… Iam provocar ruídos, abalos císmicos na estrutura social. Tantos segredos, lágrimas, porres madrugais, amores, brigas, conversas, relações, ensaios narcisistas em frente ao espelho, conferências de almoço em sorrisos, ausências de bom dia a estranhos conhecidos diários e situações diversas das mais imagináveis.

O elevador é uma espécie de corredor cúbico fechado, o lugar de passagem de fora para dentro, de dentro para fora. É o que liga os destinos. Nem céu nem inferno, mas espaço vago. Por isso tanta coisa acontece pré e pós. É uma realidade paralela, o que acontece lá, morre lá. Salvo aqueles com olhos de lentes frias-calculistas de espionagem, que gravam e guardam fatos. E ainda nesses acontecem de todas as coisas.

Intimidade. No elevador estão guardadas demasiadas intimidades. Um sobe e desce de intimidades. Se pudéssemos conhecer pessoas pelo filme de suas vidas passado em seus respectivos elevadores, não poderíamos suportar, nem nós, nem elas. Seria muita exposição de íntimo. Seria lacerar o ser. Toda relação deve permanecer em certo distanciamento. Assim as ligações se preservam agradáveis.

Vidas acontecem em elevadores. Histórias inteiras construídas em passagens entre andares. Essas máquinas sabem muito. Sabem demais. Graças por serem mudas, hão de revirar nos túmulos de metal, em seus silêncios eternos de segredos.

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