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Enjoo de repente. 1:39 AM. Madrugada. Acho que vi coisas demais hoje. Principalmente na TV há pouco. Ou seria ontem? Coisas mil que me fizeram pensar enxurradas e conexões que me embrulharam o estômago. Documentário sobre sonhos estava entre elas. Sonho tanto, todo dia. Só coisas estranhas, muito estranhas e bizarras. Extremamente reais. Exatamente reais, diria até mais reais que a própria realidade. Por vezes misturo ambas e me confundo. O pior, acordo cansada lembrando de detalhes. Sinto tatos, gostos, morte, densidade e temperatura de sangue, cor aveludada do vermelho enegrecido-coagulado, textura, cheiro de ditadura, pernas dormentes de fuga em mata e orvalho, sinto o vento azul resfriado de cidade deserta, água gelada, café queimando a língua enquanto trabalho, peito ardente sincronizado à lágrima de cristal que escorre pelo meio do corpo, sinto lábios e mãos, queda e vôo, pânico e alegria, sinto o grito ou o cantar percorrer a garganta, por fim, vontade de urinar interminável até acordar no escuro. Tinha a esperança que o programa abordaria algum aspecto que me iluminasse em relação à minha condição. Mas nada de novo. O desconforto não é só por pensamentos que esse assunto me provoca, mas outros que não vou contar. Não quero, são infinitos e meus. Me pertencem e não vou provocar tensões alheias.

Sempre em que se fala enjoo as pessoas pensam “filho”. Previsibilidade que você pensou isso quando leu a primeira frase desse texto. Típico. Mas pensamentos funcionam assim. Surgem em ímpeto e incontroláveis. Penso, logo penso, não é mesmo? Penso, logo enjoo. Enjoo tanto durante a vida que já me engravidaram inúmeras vezes em palavras. Já teria alguns bons cem filhos.

Ânsia no lábio do estômago…Se não bastasse o redemoinho a quilômetros por hora dentro da minha cabeça, os ventos começaram a soprar lá fora. Batem em minha janela, provocando aquele clima de tensão que premedita algo ruim. Enquanto terminava o parágrafo ele acalmou. E o barulho do ônibus passando a rua subiu até o sexto andar. Foi um barulho solitário, tal qual o ultimo ônibus de uma cidade desertada. Foi ele, o vento, que me causou essa sensação de civilização devastada pós 2012. Uma porta bateu no corredor, uma tosse de um vizinho rasgou o silêncio e a janela voltou a estremecer. É o vento querendo entrar. Vai dormir do lado de fora hoje. Não o quero.

Enjoo. Não tenho sono e preciso dormir. E se durmo meu cérebro cisma em circular sangue frenético em veias e neurônios, intensificando os devaneios. Cansaço. Onde me desligo? Nem dormindo me desligo.

Os garis varrem a rua lá fora. Engraçado pensar na vida paralela que permeia a madrugada. Eles parecem os últimos garis que sobraram na Terra. Devem ter descido daquele ônibus. Estão lá fora eles e os assobios do ar nervoso. Enquanto eu estou aqui, sob coberta, sobre travesseiro de fronha azul e sob o pensar. Se não estivéssemos tão próximos do apocalipse, uma volta solitária pelas ruas talvez me fizessem bem. Mas se boto os pés lá fora, os ventos me levam. Sou mulher e o mundo é mau.

2:39 AM. Vou dormir. Na verdade rolar persuasivamente nos lençóis de um lado ao outro até o sono se render ao encontro comigo. Vou provar a ele que sou interessante o suficiente para satisfazê-lo.

(…) Fui mas voltei. 3:10 AM. Tentei repousar mas os olhos não se fecham. O sono não me quis. Vai ver ele prefere loiras. O vizinho começou bater no piso do sétimo andar, o que significa o teto do sexto, que significa meu teto. Um barulho como pernas de pau andando pelo apartamento. Os morcegos também completam a cena. Fazem barulho externamente. Como se chama a fala deles? Dos lobos é uivo, rugido dos leões, os gatos miam e ronronam, e os morcegos? Dão gritinhos estridentes de sonar? Eles estavam perto e se afastaram. Podem ter se magoado porque não sei o nome da língua deles. Problema! Quero mesmo é que partam. O silêncio total me ajudaria a dormir com menos dificuldade. Ah! Foi falar nisso que um carro acabou de disparar o alarme.

Desisto. Hoje é meu dia de morcega. Agora entendi. Talvez eles estejam me chamando para o bando. Talvez seus gritos queiram dizer “Fuja conosco”. E eu penso a resposta “E amanhã durmo de cabeça para baixo durante o dia? Não obrigada. Prefiro tentar mais”.

E vou tentar. Levantei, bebi um copo d’água, comi uma fruta gelada. Gelado me faz bem. Agora vou largar esse texto. 3:33 AM. Adoro quando os números se encontram. Vou-me com chave de ouro, 333, metade do 666, combinação que me persegue. Três é um bom número. Ímpar bonito. É assim que eu parto…em busca do sono perdido. Já sinto um leve pesar em minhas pálpebras. Adeus.

8 thoughts on “De insônia, guinchos e enjoos

  1. Criolina…
    Faz assim miguxona: quando pensar em não dormir ou em dormir e não conseguir…pensa em mim! Assim o sono será pesado e quem sabe, você sonhará “preto” ou nem mesmo sonhará! Pode ser também que você se esmague na prensa de 100 kg, mas o que não mata, engora. No máximo, você terá que fazer uma academia na semana seguinte. E academia dá fome, dá raiva, dá medo, dá loira tipo pêra e “marombado barriga de ralador de cenoura”, dá tanta coisa que quando chegar em casa e subir 6 andares de escada a única coisa que você terá forças pra fazer, é dormir! Assim você não chama o Juca… nem o Bernardinho. Só dorme.
    Quem sabe também, você pode ir ao forró de segunda a segunda?! Esse trem faz aquele líquido retido durante o dia suplicar para vazar! E como cansa esse negócio! Aí, depois…só cama! E você até poderia sonhar com alguma coisa…tipo um chuveiro assassino ou um sabão maníaco do parque, mas antes do ataque você desfaleceria. Então, não há mal algum!
    Bom, ficam minhas 2 dicas. Se optar pela primeira, vê uma foto minha magrinha…aquelas de 5 anos de idade, se não vira pesadelo. Se for pela segunda, aceito o convite! Não tô precisando dormir, mas tô interessada no líquido saindo vazado e levando uns 30 kg para tão tão distante!
    Pensar em Nana faz bem a saúde! Não esquece da sua amiga…. Se isso acontecer, volto e puxo seu pé de noite!!! Por favor, tome banho! hahahahaha!!!

    • hahahhahahaha, amora linda! Penso em vc direto, principalmente em como vc tem me rejeitado e me trocado por amizades mais magras! Mas roupa suja se lava em emails e já lavei inclusive com Vanish essa manhã. E nem pense em apagar comentários, sua girafinha! Sua demonstração pública de bem-querer me faz feliz e deve permanecer enquanto eu viver sobre a face da Terra (que há de comer todas nós). Mas vai demorar viu, a Terra vai ficar anos com água na boca esperando pra nos comer…aquela safada!

      Te adoro e te curto! Beijo e vamos no cinema.

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