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Passado o dia de trabalho eu chegaria em casa de pés cansados e barriga roncando, jogaria os sapatos pro lado do quarto, tomaria uma ducha morna rápida, vestiria aquela camisola de algodão larga e confortável e comeríamos eu e ele uma boa massa com um bom vinho. Conversaríamos sobre tudo e as vezes até discutiríamos, mas nada que um bom amor depois não resolvesse. Deitaria no sofá de janela aberta e vento noturno, lendo livros de romance e dramas ou veria filmes daqueles que se chora uns minutos e depois se sente com alma lavada. Ele ficaria vendo coisas sobre pescaria e design na internet ou disputando a TV comigo para ver documentários.

Meia noite eu iria tomar banho na banheira de hidratante leite com suporte fofo para repousar cabeça e pescoço e até daria aquela dormida. Depois repousaria na grande cama branca de edredon fresco e pesado encostando em todo meu corpo, principalmente tornozelos e costas. Minhas pernas sobre as dele. Sobrevoaria em sonhos a cada noite um país diferente, pousaria e respiraria a cultura de comidas, lugares, pessoas e costumes. E pela manhã, acordaria com massagem nos pés e um copo de suco de laranja gelado. Daria um beijo em meu amor e bom dia às minhas 3 gatas, a branca de um olho verde e outro azul, o de pêlos negros brilhantes e olhos doces de mel e o bengals, de pelugem igual de leopardo. Levantaríamos e tomaríamos um banho extra quente com com óleos perfumados, revezamento de esfregar de costas um ao outro e depois sairíamos de roupões brancos felpudos e eu de chinelinhos poá preto e branco de pompons rosa flutuando na ponta. Os gatinhos entelaçariam nosso caminhar de volta ao ninho, deitariam no tapete de pele de vaca preto e branco, enquanto tomaríamos café juntos na cama. Café com bolo de chocolate, frutas em pedaços mergulhadas em iogurte de morango, café com leite morno, no ponto em que não é frio nem queima a língua e pão de batata novo com queijo na chapa.

Dormiria então mais vinte minutos com o travesseiro geladinho pelos cabelos molhados. Acordaria com o despertador tocando um jazz, acionaria o soneca por mais dez e só assim despertaria em definitivo com um beijo na testa. Daria aquela espreguiçada longa que acompanha um gemido, e sairia da cama desenrolando o corpo parte a parte, começando dos pés até a cabeça desencostar a cama por último. Sem pressa ou estiramento. Tudo bem sedoso.

De roupão e pés rosa-pomposos, iria ao banheiro de pastilhas translucidas verde-água e pia de madeira, secaria os cabelos, e só então voltaria ao quarto de piso de madeira clara, uma escrivaninha vintage em forma de maleta, poltronas estampadas, abriria meu grande guarda-roupa preto espelhado e vestiria meu melhor vestido solto de decote charmoso e feminino acompanhado de sapatilhas baixas douradas de bico fino. Me maqueiaria deixando os cílios volumosos pra cima fortalecendo o olhar puxado de raízes indígenas e as bochechas coradas como de um rosto saudável de raios de sol matinal. Colocaria os pequenos brincos de asas, colar de tesoura, anel de leopardo brilhante e outro de orelhinhas de coelho e na mão esquerda a aliança, tudo dourado. Espirraria o perfume masculino no pescoço, atrás das orelhas e em punhos e me depararia com o sorriso de “Vamos logo” dele sentado na poltrona me olhando em meus cinco minutos finais. Sairíamos assim pra vida praticamente em estado de alma cheia e transbordante de um sentimento bom. Assim seria. Em um dia após o outro e após o outro.

2 thoughts on “Em casa

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