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Acho que nasci pra viver embaixo d’água. Literalmente. Debaixo do chuveiro quente com a água escorrendo e percorrendo o corpo, beijando a pele e enrugando os dedos. Encharcando os cabelos e renovando a felicidade. Ou aquela infusão em um ofurô morno rodeado por mata. Respirando ar verde fresco e lendo um livro. Provavelmente Clarice? Da outra vez foi. Um dia terei um ofurô em casa. Morarei dentro dele.

Bom também é hibernar no sol e em seguida correr pro mar. O contraste do quente-frio e do seco-molhado. Mistura mais gostosa. A pele urge durante o ano por essa sensação. Coisa boa é praia, embora meu gosto prefira menos sal. Deliro com piscina e curto muito uma cachoeira. Cachoeira tem um aspecto temperamental sempre gelado. Uma das coisas dessa vida que “purificam a alma” é pular na água gelada. Primeiro é o choque seguido então de uma profunda sensação de alma límpida e transparente. Amo água quente, mas essa experiência também é deliciosa. Falando em purificar a alma, outra das coisas que deixam a alma pura é raiz forte. O ritual é colocar uma quantidade generosa no sashimi, e ao comer, os olhos lacrimejam até arder por inteiro e depois ser tomado por aquela sensação incrível de purificação. (Breve parêntesis pra falar de comida no meio do assunto água. Acabo sempre falando de comida! É que percebo o mundo muito pelo paladar, então não consigo evitar esse tipo de conexão).

Mas voltando, água é o elemento que mais me toca os sentidos. Água e o estado líquido e cremoso. Tenho essa fixação também por ter a pele seca. Logo, necessito e tenho vício em me submergir. Outra explicação por essa dependência pessoal é o significado disso tudo: aprofundar. Significado que amo. Coisa triste é se conformar com a superfície. Pior, é acreditar que a realidade seja ela. Mergulhar é tão mais gostoso, mais real, mais cerne, mais “estar vivo”.

Água é assim, esse elemento “Vida”. Por isso desde cada simples banho ou imersão, sinto como a vida jorrando em mim e me tocando. É, não acho, tenho certeza, nasci mesmo pra viver embaixo d’água!

4 thoughts on “Água

  1. “triste é se conformar com a superfície. Pior, é acreditar que a realidade seja ela. Mergulhar é tão mais gostoso, mais real, mais cerne, mais “estar vivo”.”
    assino embaixo, itinha!

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