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Um dia ela sentou no meio fio (ou talvez se estirou no chão gelado do quarto, ou quem sabe só deitou na cama mesmo) e um pensamento, daqueles dolorosos embebidos de verdade crua sangrante, deu um tiro em sua testa. Ele dizia: “Aquela eterna fuga em sua baixa auto-estima”. A verdade dói tanto. Dói como se a mão enfiasse uma estaca no peito e a pressionasse de um lado pro outro, provocando um ferimento aberto e constante. O problema de desnudar a verdade, é ter que então agir. Agir é dor tão qual sair do escuro morno e aconchegante da ignorância. Ignorar é confortável. Mas tão atrofiador…

Ela sabia bem o que aquela frase atrevida queria lhe dizer. Sabia tanto que chorou por dentro até encharcar e a água escapar pelos olhos. Tinha a ver com o que uma vez ouviu sobre “autoboicotar”, aquele comportamento em que a pessoa parece assumir para si mesma que não pode estar feliz. Há que adoecer. Há que estar mal. Há que estar escorregando pra debaixo do tapete da autopiedade, do sentimento de dó de si mesmo. Que assim, o peso sobre as costas fica bem menor.

– Que droga de comportamento viciado! – ela pensou. Pensou, sentiu sono e dormiu.

2 thoughts on “Eu-nu

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