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Se digo que não gosto as pessoas pensam que sou mal amada. Mas de fato e em parte é uma verdade. Essa data é motivo de alegria pra famílias mais estruturadas. Aquelas que se encontram anualmente nessa noite ou no almoço do dia seguinte abstendo-se das indiferenças e problemas por um belo momento mascarado. Ou não. Acredito que nem tudo são falsidades, há mesmo famílias que no geral se amem e esse seja um bom tempo de aproximação. Não sou dessas que acha tudo uma grande farsa. Acho que em casos há bom aproveitamento disso tudo. Há felicidade, amor, perdão, paquera de primos, o prazer da boa comida, o álcool e claro, os presentes, a razão comercial que isso tudo se tornou. Mas a vida acaba sendo momentos, e nem todos precisam ser profundos. Encontrar para uma festa é um bom motivo. Beberem todos juntos num brinde recheado de não-problemas é um bom motivo.

Mas particularmente pra mim, só desejava dormir como um dia qualquer. Minha experiência de vida não me faz sentir prazer algum nessa data. Pois sempre éramos três. Eu, irmão e mãe. Essa era toda minha família. E como em todas datas comemorativas um surto maternal bipolar, apesar de que agora, incrivelmente não me lembre deles no dia natalino. Tenho até uma recordação gostosa, de uma ceia boa, os presentes debaixo da árvore (que minha mãe se esforçava pra poder comprar), a expectativa do Papai Noel, o acordar à meia noite para comermos e abrirmos os presentes. Era solitário mas bom. Mas isso era quando criança, quando o coração era puro, perdoava tudo e acreditava em todo espírito mágico. Depois de crescer, outro espírito que começou a latejar, em parte triste, outro descrente e outro com desejo de que os três estivessem bem. E como não estávamos, se tornou melancólico e obrigatório comemorar algo que não sei o que. Em comprar um presente e forçar um sorriso por detrás morno. Não que eu não a ame…a amo demais. Mesmo em toda sua bipolaridade e passado negro, a amo demais. Mas Natal com uma família fragmentada é de uma nostalgia dolorida. Nostalgia da união que nunca se teve…Não me entendam mal, sei que há realidades muito mais tristes e não pretendo comparações. Mesmo por tudo que passei (e quem sabe um dia conto a vocês), minha vida é excelente e tenho consciência disso. Só não sou perfeita, tenho infinitos sentimentos e eles não gostam dessa data.

Mas esse ano aconteceu algo inédito. A pequena família se juntou pra ceia. Um quebra cabeças de pedaços sofridos e separados pela história da vida se uniram ali. E foi tão bom e feliz que mesmo entre tantos tropeços, não senti falsidade. Era real. Eram sorrisos e conversas cruzadas. Seres carentes esperando por esse momento de comidas, música, bebidas e sensação de amor. Sim, mesmo distantes ou estranhos, todos se amavam. Foi bonito. Mas ela não estava lá. E o dia seguinte foi triste.

É, pensar nessa coisa toda de Natal me faz pensar nessa coisa toda de família e no fim das contas me embrulha o estômago. Não sei bem o que é família e o conceito disso me amedronta. Enfim, vinte e cinco agora só daqui a mais de trezentos dias…

10 thoughts on “Vinte e cinco

  1. Nesse exato momento sinto a mesma sensação… nesse exato momento estou reaprendendo minhas expectativas possíveis sobre família e sobre Natal. Agora, agorinha mesmo, sofro muito. Talvez um dia eu possa te contar, Carol… mas te gradeço muito por ter me deixado menos sozinha nesse momento em que estou profunda e marcadamente mergulhada na solidão.

    • Ei Flavinha querida! Cada um com tantos problemas e histórias de vida que a gente nem sabe…mas todos têm. Quero muito que vc me conte sim. E fico feliz de ter feito você se sentir menos sozinha…é muito bom quando encontramos alguém que compartilha de coisas semelhantes.

      Adorei o “reaprendendo minhas expectativas possíveis”. Grande beijo!

  2. Tudo que você viveu te trouxe até aqui. E posso até não te conhecer há muito tempo ou muito bem, mas tudo que você é hoje é bem incrível. Então agradeço pelo seu passado que te fez o presente que você é hoje. E admiro muito sua coragem de abrir seu coração aqui pra gente. Tem gente que se quer consegue admitir que sente certas coisas, ainda mais escrever sobre elas. Mas escrever liberta. Escrever cura. E você escreve muito bem.

    No fim, depois de sentir e escrever, tudo sempre acaba bem. Sempre.
    Feliz Natal.😉

    • Brigada pelas palavras Fabi! Agradeço sim por tudo que sou hoje apesar de todos defeitos e fraquezas emocionais. Acabei me tornando uma boa pessoa no fim das contas.🙂

      E o “se quer”, qndo li seu comentário aqui pelo celular achei que vc tava falando que tava no meu texto, li mil vezes tentando achar e só dpois vi que vc tava falando da sua resposta haha

      Bjinhos!

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