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Ninguém sabe a agonia dos meus sonhos. Nunca encontrei alguém com o mesmo fardo. Sabe o que é acordar sem saber o que é real? Qual vida lhe pertence? Porque ambas acontecem na pele da mesma maneira. Vivo duas vezes. Nunca descanso. E a realidade noturna que começa quando cerro os olhos é medonha. Assustadoramente medonha! Só perseguições, assassinatos, guerras e similares sanguinários. Sempre fujo. Sabe o que é acordar bufante com dor no peito e vômito na garganta?

Hoje foram milhares de sonhos. Combinações de acontecimentos tensos e situações absurdas. Primeiro um congresso em São Paulo, depois um vôo para fim de semana em Buenos Aires para outro congresso e aí as cenas de terror começam. Foi uma intensa fuga dos assassinos que subiam escadas e entravam em salas pelo prédio atirando. Tive que martelar um deles no peito. Sentir as mãos de sangue é uma das piores sensações que há. Sensação de imundice. Mas tudo em defesa. Quando mato ou machuco é em estrita defesa. Depois cenas até engraçadas como em uma festa, eu discutindo (em português!) com a Alanis Morissette sobre a nova capa do seu cd. Oi? Não, você não perdeu nada. Meus sonhos são assim. Absurdos.

O terceiro sonho foi quando quase morri. Nem quero contar ele todo. Preguiça de lembrar de tudo. Mas era uma mansão no mato, uma garotinha negra adotada criada por ricos e minha visita. O pai aparecia pra ver a filha as vezes. Como queriam matá-lo por questões de drogas e coisas desse submundo, ele pedia pra nunca levarem a filha para além do quintal. Poderiam matá-la para atingi-lo. Eu e Dani lá de visita e a garotinha incessante pedindo para dar uma volta na floresta. Eu disse não. Dani sim. Fui atrás claro. E o previsto, no meio do mato um cara apareceu armado e atirou. Entrei na frente e levei o tiro no peito. Disse minhas últimas palavras no chão e tentava continuar respirando. Sei lá porque, o sonho mudou a cena e o tiro não pegou em mim. Mas com o susto, tive um infarto. Minhas válvulas do coração estralaram. Como doeu. Doeu mas continuei viva. E acordei com o coração doendo de verdade. Os próximos sonhos nem precisam ser contados. Coisa demais.

Hoje é um daqueles dias que acordo imóvel e pedra. Tão pesada que não consigo levantar nem para comer. Acordo sangrando exausta. O pior? O pior é não ter porra nenhuma de cura. Os médicos falam que é normal, “você está liberando energia pelos sonhos”. E daí? Eu pergunto a você caro leitor, e daí? Eu pergunto a mim, aos amigos, aos terapeutas e nunca nada. Não tenho cura? Vou sempre acordar com meu estômago em nó com a garganta? Um furo no peito e sangue na lembrança? Minha sina é fugir e matar quando a morte chegar perto centímetros demais?

Se alguém souber minha cura que me diga. Que me diga por favor. Medo de dormir de novo. Mas o sono é eterno em meus olhos. Porque eles nunca descansam. Se souberem, que me digam…

One thought on “Inception

  1. Eu quse nunca sonho. Pelo menos não que eu me lembre. Contudo, a maioria das vezes é com cobra. Penso que é a sensação de estar sendo sorrateiramente traído. Sim, eu dou uma de psicanalista nos meus sonhos. hahahahahha

    Às vezes leio seus textos e fico confuso entre o que é realidade e o que não é.

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