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Ela perguntou se eu queria ouvir. Ela disse, melhor não. Palavras no ouvido não podem ser rebobinadas. Maldita hora que eu disse sim.

“Sabe quem me entende? A comida e o breu. Minhas companhias que me tragam. Sou cigarro, câncer. Sou fumaça carbônica. Saia. Deixe que a comida e o sombrio me devorem e morram de mim. Como somos um, morro junto. Aos poucos. De sódio e gordura entupindo as veias. De atrofiamento cego. Morreremos nós três. Um dia, eu sei.”

Ouvi e por um momento desejei ser surdo. Evitar essa realidade ínfima e osteoporose. Meus ossos fraquejam de vê-la assim. Vou embora. Não posso tolerar. Vou tomar um gole de álcool e esquecer tudo isso. Fui e ela já bêbada de comprimidos. Quando ela for sorrisos eu volto. Cruel? Todos somos lama mesmo.

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