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– TOC. TOC. TOC.
– Quem é? (Será que deixei a porta aberta…)
– É o Vício.

Abri a porta (já trancada cinco vezes aquela noite) e vi meu velho entrar com aquele mesmo caminhar manco diário. Hálito cetônico, cara amarrotada como de costume e aquele terno rasgado cheirando a mofo.

– Essa sua mania de me esperar e não saber que sou eu. Venho todos os dias na mesma hora e você ainda pergunta quem é.

– Lamento, é meu vício.

– Nem vício, nem hábito, nem costume, e retiro o que disse, nem mania. É dependência mesmo. Essa necessidade de conferir a porta várias vezes e mesmo sabendo que quando sou eu, pensa poder ser outra pessoa.

– Esse seu hálito acetona que me confunde. Vem, toma um chá com açúcar.

Ele sentou naquela mesma cena de rotina e ficou. Até sua presença se desintegrar no ar. Éramos um, eu e meu velho vício de várias coisas. Tomei o chá adoçado e pensei que todos devem ter seus transtornos pulsando por aí.

2 thoughts on “Pulsivo

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