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Sinto em relances tristes que um dia me faltarão palavras. Que um dia não conseguirei mais encaixá-las. Que os assuntos já terão se esgotado. Que as maneiras de dizê-los já terão sido todas ditas. Que neste exato texto posso estar gastando minha última gota de letras antes de uma morte muda e burra.

Essa sensação fria de medo. Um medo terrível de parar no tempo. De não fazer nada e virar pó de nada. Engolido pelo furacão das horas. Da pressa. Da pressão de ter que ser sempre mais.

Sinto em relances tristes que minhas palavras podem definhar. Podem chegar no status de “não suficientemente boas”. De gastas. Pobres e mornas. Velhas gagás. Montadas em rodas e muletas. Arrastadas em trapos e miséria.

Só um medo como tantos outros que me perseguem.

2 thoughts on “Mute

  1. Medos, Medos são eles que nos acorretam e impedem nossa felicidade. Mas lendo seu texto vejo que eles ficam velhos e é lógico que como tudo que é velho deve ser enterrado. Enfim, liberdade dos medos.

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