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No resguardo da janela ou em algum canto escuro do quarto. Não sabia ao certo de onde vinha aquele estridor vil que lacerava a noite como ponta afiada de florete. Os ouvidos torturados pelo ruído metálico e oxítono, se abafavam com almofadas. Nada atenuava. O som mais parecia vir do interior da cóclea.

Levantou-se, inflamou as luzes e procurou de onde vinha. Encontrou só o vazio. Pensou se era psicose ou pesadelo. Desatou todas as tomadas da parede pensando ser curto elétrico. Não era. A tormenta persistia. Os tímpanos já intoleráveis, ganiam por socorro. Semi-estourados, num golpe de estocada, atingiram o auge da fatiga. Pôram-se ao esforço de abstrair.

E ela só pensava em como podia ser tão aterrador o estridular da cigarra…

2 thoughts on “Stridula

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