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Lá estava ela, reverberada no polido luzente do espelho, num semblante velho e consumido pelas horas. Se examinava em cada pormenor de olheiras e cansaço. Nas maçãs do rosto e boca pálidos, a maquiagem desbotada.

O elevador chegou no décimo sexto andar. Dentro, ficou a face amassada de uma idade que ainda não tinha. No apartamento, entrou ao seu lado, a sensação de como a vida se desloca em fagulhas de segundos, na rapidez de um sopro e obsolência dos fatos. Mas junto, entrou uma excêntrica felicidade de “estar madura”. Não por inteiro, porque ninguém é inteiramente um algo só. Mas um pedaço significante.

Dormiu num amálgama de si: em desgaste e em maturação.

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