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A vela parecia vestir saia e bustiê. “Bustiê”? Voltamos nos anos trinta? Trinta, sessenta, noventa, não importa! A vela estava suspensa em garrafa de vinho e com desenhos de cera branca escorridos em seu corpo. Formaram duas camadas. Uma inchada em cima, seguida de uma cintura ao meio e abaixo outro inchaço parecendo um saião armado. Vela educada. Vestiu-se para o jantar. Ela não tem estômago, não come, mas participa. De gala, ilumina e guarda todas as conversas que são ditas em sua mesa.

Hoje ouviu sobre textos, roça, gente, empanadas, cabernet e criação autoral. A conversa mais densa, perdeu. Quem ouviu foi o volante. Quem percebeu as lágrimas, o porteiro e a maçaneta do apartamento. Em que momento o assunto mudou do cheiro da roça, não se sabe. Mas a vida é assim. E a esta hora a vela deve estar lá solitária e apagada no escuro. Que dó do mundo.

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