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Paredes verde-claro. Camas bejes desengonçadas. Cobertas xadrezes tentando abafar o gelo da dor. Poltronas em sulcos esfolados e cortinas brancas perfuradas, simulando um mínimo de privacidade. Gemidos baixos que ecoam alto nos corredores. Suportes em fileiras prateadas em todo o teto.

Ouço meu nome! De branco e bandeja se aproxima. A borracha estrangula meu braço e a agulha escava a veia. O remédio penetra incinerando o pulso e se inicia a tortura do eterno pingo pós pingo do soro. O olhar só enxerga a placa Saída.

Porque os hospitais são tão frios? Talvez pra nos acostumarmos com a morte caso ela apareça. E porque os médicos são tão gelados? Talvez já morreram em vida e se esqueceram de parar de transitar nesse mau humor diário.

“Irônico como os veterinários tratam melhor os bichos que os médicos tratam seus pacientes humanos”. Entreguei o bilhete àquele que nem olhou na minha cara enquanto eu chorava de dor. Se era um dia ruim dele? Se fui injusta? Se na dureza do dia a dia um simples “olá” se torna impraticável? Não sei. Só sei que me apavora pensar em suportar todo esse processo desumano quando me abater a velhice, sendo que agora já é doloroso.

Só sei que estou exausta e precisamos dormir, eu e meus braços furados de uma doença que nem existe cura: stress.

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