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“E o que não era pra ser dor, angustiou do lado esquerdo. Aquilo, nem o tempo pra dar jeito. Pra asfixiar o espasmo e calar o peito.  Onde era pra haver bem-querer, houve uma súbita perturbação arredia. Nem o tempo conseguiu superar aquele pedaço de vida que borbotou tanta veemência entre os dois.”

E era assim que começaria escrever em seu domingo. Desistiu. Resolveu falar de pepino. Quer assunto melhor as verduras do que o amor? Se bem que pepino e relacionamento são palavras combinantes. Mas pepino, de pepino verdura, é bem mais simples. É só senti-lo na boca, ouvir a sensação e fim. Sem reflexões violentas na alma.

Pepino tem gosto de sauna. Deve de ser o frescor. Pepinos são frescos e as essências de eucalipto de sauna também. Mas o que há de antônimo nisso, é que pepino desce frio. Batatas fritas, por exemplo, descem aquecendo como sauna. Comidas salgadas, em geral, dão mais sensação de sauna e aconchego do que saladas. Saladas descem frias, secas, deixam um oco branco-gelo no estômago. Arriam garganta abaixo espargindo indiferença por dentro. Tão infausto comer saladas… Há, sim, alguns dias em que o gosto está para saladas. E há alguns verdes que são bons, como brócolis por exemplo. Fresco sem frieza. Mas no geral, o mastigar do insosso é muito “um algo exausto”.

A comida que desce como amor? Os doces. Eles não descem quentes nem frios. Descem de uma maneira devagar e nostálgica…

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