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Poacea

Era o senhor cortando a grama do canteiro do prédio. De lá que subiu o perfume de mato às narinas da moça. Ela quis sentar-se no asfalto em frente, fechar os olhos e sentir o cheiro. Transcender-se do concreto. Mas, faltou-lhe atrevimento. Seguiu andando pela poluição e pensou:

“Aparar para libertar o aroma… Assim é com os cabelos: cortar para crescer. Deixar envelhecer não preserva, apodrece. É preciso cortar, deixar sangrar, para brotar pele fresca e nova.”

Aparar para libertar o aroma… virou mantra na cabeça da moça e ela não pensou mais em morte, e sim, transformação. E não mais parou, aparou.

2 thoughts on “Poácea

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