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Engraçado (para não dizer des…), como toda familiaridade foi se decompondo com o tempo. Nenhum meio-sangue em ambas as veias auxiliou como elo da relação. Eram agora estranhos. Suas faces transmutadas um ao outro, se projetavam violentamente mudas. Uma mudez que gritava enchentes de sentimentos presentes de um passado malpassado, comido cru com paladar de abatimento e sangue. Os tantos anos lá atrás, e ainda o sabor apodrecido dos traumas.

Ela só queria berrar-lhe “Engole logo esse morto e vive!”. Mas, ela nem sequer o reconhecia mais. Naquele rosto via só um algo rijo, macho, esbelto e couraça. Inacessível. Mirou nos seus olhos, e o deixou partir, vendo ele partir-se em pedaços na paralisia de seu relógio da vida. Ela seguiu. Moída pela tristeza dele, mas feliz pelo presente de ter em sua própria boca, o gosto do tempo presente.

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