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Cana

Foi numa tarde, depois de um olhar por meses diante daquele verde denso distante… Decidiu num compacto segundo e correu. Correu voraz para o íntimo do canavial. Sem calças, descalça, segurando nas mãos a carência das lâminas para abrir caminho. Completa mente-nua. Feria as frestas com seu próprio corpo, sua própria cara, sua própria carne. As folhas cortavam-lhe a pele e o sol no suor dos sulcos, fazia-se arder. Correu. No furor da sua coragem, o quanto pôde, correu. Na noite um cansaço, um coração de caroços destroços e arranhões fazendo trama nos membros. Foi, porque sabia que a vida é feita de ir. Foi, porque sabia que ali, logo ali, a cana se faria doce cobrindo o corpo, melando a alma, destilando o fastio. Foi, sabendo que no ensejo justo, a cana lhe beijaria a boca com paz…

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