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Saara

Sobre a cabeça, aquela negridão do abstrato imenso de nome Firmamento. Ela, de brancura minúscula e nome Sara. De ombros flácidos, passos cautos e seu firme lamento, andava. Andava num calmo desespero por saber que não breve teria teto para se abrigar do céu que se abaixava. Naquele breu, as estrias de clarões e atmosfera inflada de berros. Era o prenúncio do tombo da tromba. Tromba d’água d’elirante. E ela ia, por aquela rua de terra batida-abatida varando o distante.

Casas desertas. Folhas perdidas rojavam no chão abandonadas. Ventava. E o ar tinha gosto de lodo seco. O Firmamento, em mágoas, petrificou suas lágrimas e as despejou em granizo. E sobre os ombros de Sara, macerou. Pedra sobre pedra. Da chuva na rua de terra, que poderia se aproveitar o cheiro de marrom molhado, nem isso! Nem para as lágrimas despejarem em líquido. Nem…

O granizo espancou a moça. E nas costas, então, cristais cravados.

One thought on “Saara

  1. Que MARAVILHA ! Em que canto da mente mora tanta criatividade, tantos encantos e desencantos ? Quero um cantinho desses para mim. Vc é demais.

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