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Caiu a noite e ao passar de cada hora, mais um tom de negro pinta o imenso céu. O vento passeia lá fora como que fosse gente. Os passos passam tão perto que sombreiam a fina lona até a parte de dentro da barraca. Sombra escorrida, caldalosa e sorrateira. Sombra lenta e espessa. Dessas que passam te encarando nos olhos da alma, um encarar semelhante ao de um cego que não tem os olhos externos que vêem mas têm os internos que percebem tudo e além. A sombra do vento lá fora me encara cega e penetrante. Encara por detrás dos meus olhos, bem aonde moram meus pensamentos. Juro por um instante, ter certeza de que ela parou ao meu lado, dobrou os joelhos, respirou perto do meu rosto e ensaiou abrir o zíper da porta e entrar. Em mim, a mistura de um medo, vertigem e uma estranha sensação de abdução. Mas se ela entra, o que me faz, se é só um nada, apenas um pedaço da natureza uivando junto com minha imaginação? Não faria nada.

Aqui acampada entre as árvores, esmagada pelas milhões de estrelas vestindo o alto como que num espetáculo de piscadas sincronizadas com os sons dos grilos, me sinto tão imensa quanto inexistente. Tão desimportante quanto necessária. Tão invencível só que apenas nos primeiros segundos. Me sinto no domínio e de repente dominada. Incrível como estar longe das distrações da cidade nos faz sentir assim tão dúbios… Incrível como nos faz: ser.

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