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Da platéia ela era o papel da fome. “Era” e não “estava”. Em estado permanente, sentada na penumbra do anônimo, devorava tudo o que era vida no palco. Toda trama dos dramas. Todo som e pele em movimento, toda representação. Todo pulso e impulso batendo ali em cima na frente e ali no secreto de seu sangue. Respirava os passos e as notas. Sentia vibrar em si cada movimento dos átomos em atos.

Da poltrona, ela era o papel da fome e do invisível. Representava sem estar nas luzes. Ela era desfoque como que vista por detrás de uma lente embaçada. Mais que expectadora da vida, era atriz no escuro. Ali, podia ter todas as sensações e ações em plena liberdade da ausência de olhares. Era camaleão brilhando no silêncio de seu próprio espetáculo. Devorava o outro, a arte, as almas e as histórias, numa constante transformação de um ser em soma. Farta e repleta, era então, a plenitude e o livre arbítrio.

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